MANHÃ
quinze de outubro de 2009. em quinze minutos começará a primeira oficina de fanzine do cuca. estou com medo, é claro. mas, ao contrário do que me diz e me encanta elephant gun, minhas armas para deter o animal de grande porte não serão bélicas. mesmo com todas as armas de um mar inteiro, não darei conta, é fato. o animal de grande porte só será atingido se ele se deixar abater.
inserida nesse monte de salas sem paredes me questiono qual será o resultado. eu não sei, mas tenho um plano: esse terá de ser, seguramente, o melhor encontro do planeta. trago comigo algumas estratégias no bolso e tenho um oceano atlântico inteiro a me testemunhar, sublime, que não posso morrer na praia.
o convite é para nadar em mar aberto. estamos num navio, mas não somos marinheiros de primeira viagem. (mesmo as sensações todas sendo sempre como se fosse a primeira vez. e é.)
TARDE
é quase a hora de um outro encontro. não será apenas mais um encontro, repito. é outra coisa, dessa vez com mais experiência. na tentativa eterna de não repetir os mesmos percalços do outro. um monitor me comunica que já há alguns alunos em sala de aula. tudo está pronto. amarrei o cabelo e vou esquecer a dor de cabeça, porque lá fora o mar está agitado, mas um barquinho desliza suavemente no que chamo de existência.
(…)
quase cinco da tarde. há maresia por todas as praias que em mim habitam. nessa tarde, fomos quatro. todas interessadas em qualquer outra coisa que lhes trouxessem novidades. uma vinda do interior – a busca das oportunidades, a outra – calada e quieta, observando a movimentação e minha fala calma e tranqüila. a outra que quer ser atriz fazia cara de admiração e espanto a cada página lida do zine.
tudo era novo. a dor de cabeça apertou um pouco, mas a fala foi tranquila. falar das linguagens, do tempo, do que nos chega de forma nova e nos é recebido de muito bom grado. percepções que precisam se alocar em nós.
vistas afetuosas e sempre um mundo de descobertas. propostas interventivas e uma pergunta, quase no finalzinho do encontro, ‘para quê a gente vai fazer isso mesmo?” e a outra logo responde: ‘por que agora chegou a nossa vez da gente falar das coisas que a gente quer!’. bingo.
preciso repensar em uma metodologia para quando a turma for em um número reduzido. preciso desacelerar as coisas e deixar que tudo faça sentido de uma forma mais lógica. pensei em elaborar um manual ilustrativo, lúdico e didático sobre zines.

Quanta informação existe nesse lugar..Um material rico. Procurei no google algo sobre fanzine e cá estou.
Parabéns!!
Carmem
Por: Carmem Almeida em 02/12/2009
às 13:02