Hoje, 07 de outubro de 2009, foi o primeiro dia de aula no Cuca.
Ainda testo metodologias, tento ouvir mais do que falar, e isso é difícil pra mim.
Dez meninas e dois meninos vieram. A maioria queria outros cursos e foi parar na Comunicação Popular (Como fazer um jornal do seu bairro?) sem saber por que…então pensei…é preciso seduzi-los para que voltem.
Começamos uma apresentação sem pressa. De suas vidas, do que gostam. Tímidos, foram se permitindo à fala. Aparentememente desacostumados em ouvir o outro, em dizer-se ao outro.
À medida em que eu ia perguntando, provocando o diálogo, provocando pequenas reflexões sobre o papel dos meios de comunicação… vinham os olhares curiosos, os sorrisos de canto de boca, um sussurro: “ah tô entendendo!”.
Terminamos nossa conversa inicial com um exercício onde eles respondiam para que serve um jornal no meu bairro? e sugeriam três notícias que eles publicariam se pudessem escolher os assuntos do jornal. Daí veio o conceito de pauta, nossa primeira reunião de pauta, divisão de matérias e ida a campo.
Ufa! também não acredito que chegamos aqui em duas horas. Quando terminei tinha um choro engasgado. Nem sei exatamente o porquê, era coisa bem sensorial, como diria Anna K.
De repente, duas meninas entram correndo na secretaria onde eu acessava a net: “professora, fizemos uma entrevista e gravamos. Puxaram o celular: “Vem ouvir!”
Uma nova pauta tinha sido inventada: a acessibilidade no Cuca. Isso porque estamos recebendo o Campeonato Nacional de Basquete em Cadeiras de Rodas – 3ª divisão.
Elas entenderam o que é notícia e eu entendi a vontade de chorar.
Foi assim.
(…)
Aula à tarde: outra gente, outros olhares e mais desafios. Mais tímidos, mais nervosos até, e menos interessados no tema, no começo. Mas aí fomos eu e eles cedendo, perguntando, rindo. E conseguimos avançar do mesmo jeito. Eis que um magrinho de voz pouca se apresenta:
- Eu sou o Paulo.
- Qtos anos?
- 13
Todo mundo: trezeeeee e pode?
Eu: gente o equipamento é para jovens de 15 a 29 anos, mas Paulo, já que voc está aqui, seja bem vindo e sigamos. Quem vai fazer o quê?
Saíram pautas ótimas. Menos o Paulo que não quis falar, disse que traria o texto pronto.
Termina a aula, lá vem o Paulo:
- Professora, desculpa, estou nervoso, tremendo, por isso errei minha idade, tenho 16 anos.
- Ah tá (pegando em sua mão gelada) não se preocupe, fale só quando quiser.
- Quero fazer um texto sobre umas famílias que terão que sair do Pirambu porque vão abrir uma rua lá.
- E o povo tá gostando?
- Tá não. Eu não tô!
- E tu também vai ter que se mudar?!
- Sim, eu, minha vó e 10 pessoas que moram comigo.
…..
Sensacional.
Tô esperando o texto dele pra sexta.
